Refletindo o Céu... (Lucy Dias Ramos)


Amanhece... O céu se colore com pinceladas de tons rosa nas nuvens que vão se esmaecendo tão rapidamente, que procuro reter na memória o que contemplo. As nuvens, agora, apresentam novas formações que também se dispersam e as mutações prosseguem, aguardando o sol que se esconde atrás da montanha azulada...

Em poucos segundos tudo se transforma... Assim é a vida transitória e efêmera se nos detemos apenas em sua materialidade, descuidando do essencial aos nossos espíritos em sua caminhada evolutiva. Viver é tão simples quando, atentos às necessidades reais, enriquecemos nossa mente do que nos eleva e aprimora moralmente e aguça a sensibilidade, buscando nos exemplos da Natureza o aprendizado e a compreensão do existir... Léon Denis, o grande filósofo, em seu livro “O problema do ser, do destino e da dor”, relata-nos: 

“A vida do homem é um drama lógico e harmônico, cujas cenas e decorações mudam, variam ao infinito, mas não se apartam nunca, um só instante, da unidade do objetivo nem da harmonia do conjunto.(...) Sigamos, pois, com fé e confiança, a linha traçada pela Mão Infalível. Dirijamo-nos aos nossos fins, como os rios se dirigem ao mar – fecundando a terra e refletindo o céu.” (DENIS, 2003. Cap. XVI, 2ª. Parte, Pág. 261.) 

Com este pensamento do nobre escritor espírita compreendemos mais nitidamente o real objetivo da vida na busca incessante do crescimento espiritual, visualizando o porvir onde iremos entender com maior acuidade o sentido das inúmeras experiências vivenciais. Instruem-nos os Benfeitores espirituais que antes da reencarnação, quando estamos sendo preparados para o retorno à vida física, ampliam-se os horizontes de nossa percepção e consideramos, sob um novo prisma, as deliberações que tomaremos.  Usando nosso livre-arbítrio dentro das leis morais somos impelidos a buscar novas oportunidades de reajuste e reparação, portanto, somos compelidos a reabsorver os efeitos das causas, como consequências inevitáveis do que fizemos. 

Mas a fatalidade é apenas aparente porque usaremos a liberdade da escolha com maior lucidez e discernimento, sempre orientados pelos Espíritos benfeitores que nos acompanham neste processo. Excetuam-se os casos de expiações compulsórias. Nossas diretrizes, quando encarnados, estarão sendo orientadas no sentido de buscar o crescimento espiritual, nas diversidades dos graus de evolução em que nos encontremos, sendo todo progresso moral individual, cabendo a cada um de nós o esforço contínuo no exercício do bem. 

A vivência evangélica será sempre o roteiro seguro neste caminhar, sabedores de que estamos inseridos nesta harmonia e unidade universais a que se refere Léon Denis. Daí sua recomendação sábia e poética para que caminhássemos como os rios que buscam o mar, fecundando a terra e refletindo o céu. Fecundar a terra, simbolizando nosso trabalho incessante na seara do bem, amando e servindo... Refletindo o céu, sem descuidar da espiritualidade, nossa essência como filhos de Deus... Olhemos o céu, em prece de agradecimento à misericórdia divina, que nos concede em vidas sucessivas o ressarcir dos débitos e as abençoadas oportunidades na escala evolutiva!