Amanhece...
O céu se colore com pinceladas de tons rosa nas nuvens que vão se esmaecendo
tão rapidamente, que procuro reter na memória o que contemplo. As nuvens,
agora, apresentam novas formações que também se dispersam e as mutações
prosseguem, aguardando o sol que se esconde atrás da montanha azulada...
Em
poucos segundos tudo se transforma... Assim é a vida transitória e efêmera se
nos detemos apenas em sua materialidade, descuidando do essencial aos nossos
espíritos em sua caminhada evolutiva. Viver é tão simples quando, atentos às
necessidades reais, enriquecemos nossa mente do que nos eleva e aprimora
moralmente e aguça a sensibilidade, buscando nos exemplos da Natureza o
aprendizado e a compreensão do existir... Léon Denis, o grande filósofo, em seu
livro “O problema do ser, do destino e da dor”, relata-nos:
“A vida do homem é
um drama lógico e harmônico, cujas cenas e decorações mudam, variam ao
infinito, mas não se apartam nunca, um só instante, da unidade do objetivo nem
da harmonia do conjunto.(...) Sigamos, pois, com fé e confiança, a linha
traçada pela Mão Infalível. Dirijamo-nos aos nossos fins, como os rios se
dirigem ao mar – fecundando a terra e refletindo o céu.” (DENIS, 2003. Cap.
XVI, 2ª. Parte, Pág. 261.)
Com este pensamento do nobre escritor espírita
compreendemos mais nitidamente o real objetivo da vida na busca incessante do crescimento
espiritual, visualizando o porvir onde iremos entender com maior acuidade o
sentido das inúmeras experiências vivenciais. Instruem-nos os Benfeitores
espirituais que antes da reencarnação, quando estamos sendo preparados para o
retorno à vida física, ampliam-se os horizontes de nossa percepção e
consideramos, sob um novo prisma, as deliberações que tomaremos. Usando nosso livre-arbítrio dentro das leis
morais somos impelidos a buscar novas oportunidades de reajuste e reparação,
portanto, somos compelidos a reabsorver os efeitos das causas, como
consequências inevitáveis do que fizemos.
Mas a fatalidade é apenas aparente
porque usaremos a liberdade da escolha com maior lucidez e discernimento,
sempre orientados pelos Espíritos benfeitores que nos acompanham neste
processo. Excetuam-se os casos de expiações compulsórias. Nossas diretrizes,
quando encarnados, estarão sendo orientadas no sentido de buscar o crescimento
espiritual, nas diversidades dos graus de evolução em que nos encontremos,
sendo todo progresso moral individual, cabendo a cada um de nós o esforço
contínuo no exercício do bem.
A vivência evangélica será sempre o roteiro
seguro neste caminhar, sabedores de que estamos inseridos nesta harmonia e
unidade universais a que se refere Léon Denis. Daí sua recomendação sábia e
poética para que caminhássemos como os rios que buscam o mar, fecundando a
terra e refletindo o céu. Fecundar a terra, simbolizando nosso trabalho
incessante na seara do bem, amando e servindo... Refletindo o céu, sem descuidar
da espiritualidade, nossa essência como filhos de Deus... Olhemos o céu, em
prece de agradecimento à misericórdia divina, que nos concede em vidas
sucessivas o ressarcir dos débitos e as abençoadas oportunidades na escala
evolutiva!