Nem sempre sabemos ouvir com atenção e nos distraímos em pensamentos esparsos, principalmente quando o assunto não nos interessa. Por outro lado, desejaríamos que nos dessem atenção e ficamos aborrecidos quando nos interrompem ou não se interessam pelo assunto que expomos. Simples e oportuno recordar a interdependência da vida colocando-nos diante de nossas necessidades reais na escola do mundo. Esforcemo-nos, portanto, na arte de saber ouvir para que tenhamos ouvintes atentos quando emitirmos opiniões, expressarmos nosso pensamento para esclarecer ou receber ajuda.
A arte de ouvir demanda educação dos sentimentos, gentileza e correção de propósito no trato com os nossos semelhantes, que muitas vezes nos procuram sedentos de esclarecimento, de orientação ou apenas desejosos de externar seus problemas a fim de se sentirem mais aliviados da preocupação que os atormenta. Requer boa vontade e paciência saber ouvir o que o outro tem a dizer. É um gesto caridoso acompanhar sua narrativa com atenção, sem interrupções desnecessárias ou complementos do que ele fala, denotando pressa ou pouco interesse.
Com o mesmo prazer que ouvimos um amigo que nos elogia o trabalho ou reconhece nosso esforço na concretização de um projeto profissional ou na tarefa espírita, devemos ouvir os que chegam, necessitando de nossa companhia por alguns minutos, para expor sua preocupação ou problema. Uma atitude cristã, condizente com nossa qualificação religiosa, será sempre a da atenção caridosa que alivia, minimiza a dor que constrange.
Querido leitor, se você se impacienta com os que lhe procuram sequiosos de atenção, procure entender sua posição atual. Avalie suas condições de ouvinte, capaz de entender e compreender o outro, porque amanhã poderá ser você que necessite da boa vontade de alguém para ouvir suas angústias e seus males.
(Texto adaptado do livro “Luzes e Sombras”, ebm editora)