Construtor de Gente


Num debate sobre desemprego, um engenheiro falou sobre a importância da construção civil na demanda por mão-de-obra. O mediador, entre sério e irônico, fez a seguinte afirmação pergunta: Os professores não constroem pontes; logo, o que podem fazer para ajudar a diminuir o desemprego? ...

E, rápido, no mesmo tom, o polemista respondeu: Realmente, um professor não constrói pontes nem edifícios, não pilota aviões, não cura doentes... atividades visíveis e responsáveis por tantos empregos. Ele se contenta com algo mais simples: constrói o engenheiro que levanta paredes, instrui o comandante que faz o avião voar, forma o médico que cura... 

O professor não constrói coisas: ele “constrói” as pessoas que fazem as coisas, ou pelo menos ajuda as pessoas a construírem a si próprias. Aí está o papel do professor, que não constrói  pontes, mas ajuda o homem a desenvolver a si mesmo, a moldar a sua ação e erigir seu edifício intelectomoral. O professor é um transmissor do seu saber, que deve deixar ao aprendiz o papel de escolher e construir a sua própria obra. É na modéstia do seu propósito que o professor tem a nobreza de sua missão.