Deus
pôs as árvores na terra carregadas de frutos materiais, mas sobre nossas
cabeças estendeu também a fronde do céu, carregada de frutos de luz. Por que
havemos de preferir, para o nosso tesouro, os frutos efêmeros, em vez de
guardar os que são eternos? ...
Quando colho os frutos de uma árvore e os converto
em moedas, cobrando ao faminto o preço exorbitante que deve me garantir o
lucro, devolvo a pureza da polpa e o mistério das sementes à rigidez do metal.
Mas quando tomo esses frutos e sacio com eles a fome das crianças pobres,
transformo a polpa e as sementes em luz para o Reino de Deus. [...]
Não
entesouremos nada em prejuízo dos outros. Não roubemos. Sejamos capazes de
imitar as árvores: “de ramos abertos no céu e sombra estendida na terra. O
Reino começa em nosso coração”.
(O Reino, J. Herculano
Pires – Editora Paidéia)