Pena de Morte? Com que Direito?

As discussões sobre a pena de morte revelam a falta de compreensão cristã dos problemas humanos em nosso tempo. E essa falta é tanto mais alarmante quando vemos representantes de igrejas cristãs e de correntes espiritualistas defenderem e postularem, de público, a instituição da pena capital em nosso país. ...

O Espiritismo, na sua feição de restabelecimento da pureza inicial dos princípios cristãos, não admite a pena de morte. Admitir a pena de morte é negar a capacidade de recuperação e regeneração da criatura humana. Para o espírita seria, ainda, negar a eficiência da lei de evolução.  Se aceitamos  que  os  espíritos foram criados por Deus para a perfeição, e que esta se realiza através das vicissitudes e experiências da alma, como podemos aceitar a ideia de interromper a vida de uma criatura?

Um grande pastor protestante, Stanley Jones, ensina que devemos ver em cada criatura humana um ser pelo qual Cristo deu a vida. Essa é uma lição realmente cristã. Se meditarmos nela, veremos o absurdo dos que pretendem tirar a vida de um criminoso, pelo qual Cristo morreu.

Kardec  incluiu,  em  O  Evangelho  segundo  o  Espiritismo,  no  capítulo  11,  uma  comunicação  mediúnica de Elizabeth de França, que termina com estas  belas  palavras,  ao  tratar  do  criminoso:  “O arrependimento pode comover seu coração, se pedirdes com fé. É vosso próximo, como o melhor entre os homens. Sua alma, transviada e rebelde, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar.  Ajudai-o, pois, a sair do lodaçal, e rogai por ele”. Como vemos, a lei do amor transparece em cada uma destas palavras, acordando-nos para o verdadeiro sentido das responsabilidades sociais em face dos criminosos.

(O Mistério do Bem e do Mal – J. Herculano Pires pág. 61 (adaptado) – 3ª edição – Ed. Correio Fraterno.)