O que Posso Mudar, Ainda? – Lucy Dias Ramos


O estudo do crescimento populacional tem sido uma constante preocupação dos cientistas sociais nas últimas décadas. As dificuldades familiares e sociais do indivíduo que envelhece, suas necessidades básicas são analisadas e pesquisadas ...
nos setores socioculturais, econômicos e religiosos de todo o mundo. O aumento da população dos idosos tem levado a estudos e práticas sociais que visam facilitar sua vida, tornando-a saudável e produtiva por mais tempo, através de cuidados especiais, nutrição adequada e profilaxia de diversas doenças.

Todos esses cuidados são necessários, todavia apenas paliativos, porque a educação para um envelhecimento saudável tem que ser iniciada desde sempre, porque os longevos de hoje foram crianças, jovens e adultos, embora não soubessem que iriam viver tantos anos...

Hoje, nós idosos somos o resultado de nossas vivências, dos sentimentos cultivados, da religiosidade que vivemos, do desenvolvimento moral e das realizações no trabalho no bem, saindo do círculo estreito de nosso egocentrismo para servir e cuidar dos que necessitavam de nossa atenção e apoio moral.

O ideal seria chegar ao final da existência com menos arrependimentos e muita gratidão pelas oportunidades de crescimento espiritual, embora tenham alguns deles nos custado lágrimas e solidão...
Estudiosos do comportamento humano que acompanham os pacientes terminais constatam que muitos apresentam arrependimentos do que não tenham ousado realizar. São coisas comuns a todos os seres humanos, mas que teriam lhes dado maior prazer de viver, e não teriam, nesta finalização do ciclo biológico, arrependimentos.

Em geral esses são alguns dos arrependimentos demonstrados: Coragem de viver a vida que sonhara. Ter trabalhado menos e dedicado mais tempo à família. Ter expressado melhor e com mais frequência os seus sentimentos. Ter cultivado mais as amizades, principalmente aquelas que estiveram a seu lado na juventude e em momentos difíceis. Ter buscado com maior empenho ser mais feliz.

Analisando tudo isso, vemos que muitos de nós nos acomodamos e evitamos mudanças na fase adulta, por temer as consequências, não desejando alterar os hábitos diários e ousar por novos padrões de comportamento, receosos do que poderia advir dessas alterações de rumo em nossas vidas...
E fica sempre uma interrogação: não teria sido melhor chegar ao final com menos arrependimentos? 

E manter uma atitude de reflexão, de busca da paz interior, mesmo não tendo realizado o que hoje nos remete às lembranças de como teria sido se tivéssemos ousado mudar, porque, ao retornar ao mundo espiritual, novas oportunidades nos serão oferecidas no caminho de nossa redenção e desenvolvimento moral, nas vidas sucessivas que a Misericórdia de Deus nos concede na escala da evolução.