O
excelente ancião devotado a Jesus era genitor nobre de quatro virgens cujas
vidas de renúncia e abnegação facultavam-lhes manter a pureza das admiráveis
fortunas da mediunidade dignificada, a benefício dos neófitos do Evangelho
nascente.
Pelos
seus lábios insistentemente falavam as preciosas lições da esperança,
fortalecendo os espíritos para as lutas valorosas do bem, pela dedicação total.
No
silêncio que se fazia natural, ao término de cada exposição vitalizadora da
Palavra,
caíam em transe, abrindo as portas da Imortalidade radiante para ensejar aos
que deambulavam nos estreitos limites das paredes orgânicas a Revelação, a fim
de que pudessem agigantar-se pelas praias felizes da Espiritualidade...
Não
fora esse sublime concurso vital facultado aos discípulos fiéis e aqueles
seres, conquanto o espírito de abnegação e devotamento de que se revestiam, não
suportariam as tenazes constringentes da impiedade e do desrespeito, da
intolerância e da rebeldia indisfarçável, arremessados contra eles.
A Boa
Nova, semelhante à madrugada que prenuncia bonança de luz em plena noite de
dominação das trevas, não poderia encontrar guarida nos usurpadores nem
tampouco compreensão no campo social em que a força representava
verdadeiramente a conquista maior para o acesso fácil ao triunfo, conquanto
transitório.
A
hipocrisia religiosa multissecularmente mancomunada com o domínio temporal
sufocava nos tecidos do abuso as expressões nascentes de qualquer movimento
libertador, que visasse à iluminação e ao conforto da grande massa dos
infelizes.
Com
Jesus mudaram os quadros vigentes. Ele não se limitara a ajudar apenas aqueles
que haviam ganho a Terra, não obstante os atendesse também; ligou-se, todavia,
fortemente à dor e ao desalento do povo sofrido para soerguê-lo, acenando-lhe
com as esperanças maiores do Reino dos Céus.
Esteve
sempre ao lado do sofrimento e Seu coração, partilhando todas as aflições dos
infelizes, franqueava-lhes a entrada de acesso ao Reino além do mundo, caso
desejassem transformar as suas dores da Terra em futuras alegrias do Céu...
Depois
de haver partido, com a natural ausência do Seu conforto direto, enquanto
avançam os tempos e aumentam vigorosas as perseguições ultrizes, fazia-se
necessário manter o divino elã de resistência e segurança nos corações receosos
e nas vidas tímidas dos companheiros da retaguarda...
Não
fossem as Vozes em incessante intercâmbio em Seu nome e não se teria alargado
pela Terra a Mensagem Consoladora, tão rudes os golpes da criminalidade e de
tão funestas consequências afrontosas e contínuas perseguições.
A
morte, porém, na tradição do Evangelho, nunca produziu medo, por ser vida
estuante, vigorosa — porta para a felicidade, quando decorre do sacrifício
nobre pelo ideal da Verdade. . . Isto porque aqueles mortos queridos, sempre
vivos, retornavam ao convívio dos que haviam ficado para alentá-los e
encorajá-los na luta, acenando-lhes promessas e alvíssaras de paz que
conseguiam lobrigar logo lhes chegasse a vez.
As
narrações evangélicas estão sempre odorificando os corações com o perfume da
Revelação...
Profetizavam
as filhas virgens e dignas de Filipe, em cuja casa Paulo, no ardor da
sementeira da fé edificante, se hospedara em Cesareia, ao retornar da viagem a
Tiro, Ptolemaida...
Naqueles
dias chegou da Judéia um membro atuante e credenciado pelo Alto para o
ministério, Ágabo, portador da mediunidade rutilante, já conhecido de Paulo.
A
alegria festiva espontânea e o convívio vitalizador com o embaixador do Mundo
Espiritual
assinalariam o assentimento do Cristo ao programa em pauta e trariam a diretriz
segura quanto aos destinos futuros do labor apostólico.
Pairavam,
também, no ar, graves preocupações. A Igreja de Jerusalém sofria aguerridos
combates e infâmias sórdidas.
Ágabo,
tomando a cinta de Paulo, na primeira reunião a que se fez presente, atou pés e
mãos e disse: “Assim ligarão os judeus,
em Jerusalém, o varão a quem pertence esta cinta, e o entregarão nas mãos dos
gentios." (*)
A
aflição flechou as almas humildes dos que compunham o grupo fiel. Imediatamente
foram tomadas providências para que o Apóstolo dos Gentios não descesse à
Capital, a fim de poupar-se à ação nefanda dos inimigos do Mestre.
O
caminho e o zelo dos amigos, o medo e a devoção dos irmãos receosos tentaram
dissuadir o Pregador de realizar a viagem, de modo a evitar as injunções
decorrentes do apostolado, como se isto dependesse dos esforços débeis da
amizade terrena, em detrimento dos programas divinos nos seus objetivos
elevados, transcendentes.
Lucas,
que o acompanhava e os demais choram, tentando dissuadi-lo.
Paulo se recusa atender às medidas de precaução e coloca a vida, que de nada lhe serviria se recuasse, nas mãos do Rabi e exclama: "Que fazeis, chorando e magoando-me o coração? pois eu estou pronto não só para ser ligado, mas até para morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus". E ruma na direção do sacrifício que o engrandece e respalda a palavra da Sua boca, vitalizando a pregação do Cristo nas luminosas e combativas mensagens ainda insuperáveis.
O Mundo Espiritual sempre esteve presente na Igreja Primitiva atendendo seus membros e comunicando-se com os lidadores das tarefas espirituais. Fonte inexaurível da misericórdia divina, a revelação se fazia espontânea e nutriente, sustentando os servidores do bem na indimensional realização do ministério abraçado, através da mediunidade.
Hoje,
evocando aqueles dias da Igreja ativa e dinâmica dos primeiros séculos do
Cristianismo,
a Doutrina Espírita revive a mensagem de vida eterna, e os imortais que
venceram o umbral da decomposição celular retornam para prosseguir norteando e
conduzindo o pensamento moderno para além das fronteiras da Terra, na direção
dos rumos ilimitados do Reino de Deus.
Conquanto
os óbices que ainda são levantados e as prisões morais, as limitações
domésticas e os inimigos do homem enjaulados no próprio eu, os trabalhadores
intimoratos de Jesus prosseguem fiéis, incorruptíveis até a morte, que é a
antemanhã da vida em que creem, que divulgam e aguardam, corajosa,
jubilosamente...
Narram
os Atos dos Apóstolos que Paulo estava hospedado em Cesareia, na residência de
Filipe que tinha quatro filhas virgens que se comunicavam com os
Espíritos
e que ali chegara Ágabo...
...Sofrimentos
pela causa da Verdade.
Perseguições
no culto do dever.
Dever acima de tudo com Jesus até a morte se necessário, já que a vida que possam tomar aos lidadores da fé, a Ele, que é o Senhor, já pertence, desde antes...
(*) Atos 21:10 e seguintes.
(Luz no Mundo - Capítulo 24 – Divaldo
Franco/Amélia Rodrigues
